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cartao de credito concorrencia leva a queda de taxas

Cartão de crédito: concorrência leva à queda de taxas

Com o fim da exclusividade principais bandeiras (Visa, Mastercard) e credenciadoras de cartões de pagamento no Brasil (Cielo, Rede), as taxas pagas pelos lojistas nas vendas com cartão apresentam tendência de queda. A concorrência está obrigando as empresas a negociarem com os lojistas para garantir a compra em suas ?maquininhas?.

A taxa cobrada do lojista é para bancar grande parte dos custos do sistema. De todas suas vendas realizadas no cartão, é cobrada uma tarifa de desconto. Isso significa que ao vender um produto por R$100 o estabelecimento comercial irá receber apenas parte desse dinheiro, pois o credenciador irá ficar com certo percentual para ele. Além desse custo por venda, o lojista também possui outra despesa fixa: o aluguel do terminal de vendas (da ?maquininha?).

Baseando-se nas estatísticas de pagamentos de varejo e de cartões de credito e débito divulgadas pelo Banco Central em julho, um estudo realizado pela consultoria Boanerges & Cia. apontou que em 2015 a taxa média paga pelos estabelecimentos comerciais nas vendas com cartão caiu pelo sexto ano consecutivo. Reflexo do fim da exclusividade entre as principais credenciadoras e bandeiras. É a primeira vez da história em que a despesa dos lojistas com as taxas dos cartões registra queda real (-0,6%).

?Como a maioria das maquininhas passa todas as bandeiras, para incentivar que você passe uma determinada empresa, ela está baixando os valores das taxas operacionais em relação às concorrentes. Isso faz com que tenhamos um fôlego nos lucros em tempos de baixas vendas e altos custos?, disse a empresária e proprietária da franquia Equus de Araras, Flavia Calliman.

Para o gerente da Cybelar e proprietário de uma loja de roupas femininas, Antônio Cassiano Barbosa, as taxas cobradas representam uma boa fatia nos lucros. ?O cartão é o maior sócio que temos. A redução das taxas é um fôlego para o comerciante. Numa grande rede como a Cybelar, Casas Bahia e outras, é impacto grande pelo volume de vendas. O impacto é sempre positivo?, comentou ele.

O economista Ricardo Buso explica que da mesma forma que a concorrência está se acirrando para os lojistas, também se fortalece nesse mercado das chamadas ?maquininhas?, que têm receitas atreladas ao volume de vendas e na crise podem estar com receio de perder renda.

?O resultado de concorrência maior é a redução de taxas, que é bastante oportuna a quem precisa oferecer esse recurso ou mesmo a quem já o tem, mas quer negociar custos. É uma redução muito bem vinda porque enxugar custos é a chave para o lojista que precisa vender mais barato para se posicionar melhor no mercado?, pontuou Buso.

A redução impulsiona o mercado
Segundo o Banco Central, considerando apenas as transações domésticas, o faturamento dos cartões de crédito e débito no Brasil em 2015 superou a marca de R$ 1 trilhão (R$ 1,043 trilhão, sendo R$ 653 bilhões na modalidade crédito e R$ 390 bilhões na modalidade débito). Para Boanerges & Cia., a causa está relacionada ao menor custo das vendas no débito para os lojistas e à migração mais intensa para os meios eletrônicos nos pagamentos de menor valor, entre os quais a modalidade débito tem maior participação.

Segundo o BC, a taxa de desconto média paga pelos estabelecimentos comercias nas vendas com cartão de crédito ficou em 2,77% em 2015, valor que segue praticamente estável desde o fim da exclusividade entre as principais credenciadoras e bandeiras do mercado a partir do 2º semestre de 2010. Já a taxa de desconto média nas vendas com cartão de débito caiu de 1,56% em 2014 para 1,54% em 2015.

A queda nas taxas também permite que mais comerciantes de menor porte possam oferecer esse tipo de serviço. O que além de atrair mais clientes ainda garante a segurança da operação financeira. ?É um mal necessário diante de inadimplência crescente, é certeza de que você receberá o pagamento depois sem riscos?, emendou Flavia.

É o que reafirma Buso. ?As vendas através dos chamados meios eletrônicos de pagamento são uma tendência irreversível. Independente de crise, acabam se tornando um atrativo para os clientes, que já começam a exigir esse recurso, em que pese o custo para o lojista. Outra vantagem marginal para o lojista é reduzir os riscos tanto de manter dinheiro em caixa quanto de suportar a inadimplência de cheques sem fundos ou crediário próprio?, finalizou o economista.

Fonte: Tribuna do Povo – 24 de setembro de 2016

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