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Novo golpe de cartão de crédito tem até 'grampo' em vítimas

Novo golpe de cartão de crédito tem até ‘grampo’ em vítimas

Este novo golpe de cartão de crédito tem até ‘grampo’ em vítimas. Trata-se de uma versão sofisticada de um golpe bastante popular  em São Paulo.

Criminosos ligam para clientes de bancos dizendo que o cartão de crédito deles foi clonado. Munidos de informações verdadeiras da vítima, pedem que ela entregue o dispositivo quebrado ao meio para um motoboy e que digite a senha no telefone.

O golpe se tornou sofisticado a ponto de os estelionatários não precisarem mais da senha do cartão. Nem sequer a requisitam. Além disso, conseguem interceptar a ligação das vítimas para o número da central do banco.

O psicólogo Mário Milanello, 53, estava em casa no final da tarde do dia 14 de abril quando recebeu uma ligação em seu telefone fixo. Do outro lado, a pessoa dizia ser do departamento de segurança dos cartões do banco Itaú.

O atendente perguntou se Milanello havia feito uma compra em uma loja em Mauá (Grande São Paulo), e um saque na função débito. O psicólogo disse que não, e ouviu do atendente que dois cartões seus haviam sido clonados.

Certo de que era alguém do banco já que possuía suas informações pessoais, além de uma lista de compras que efetivamente havia feito, o psicólogo deu sequência ao cancelamento. Antes de concluir o procedimento, porém, pediu que a conversa fosse encerrada para que ele próprio ligasse para o banco.

Do mesmo aparelho, ligou para o número da central do banco, que consta no verso do cartão. O atendimento foi idêntico ao que estava acostumado. Em momento algum ele informou as senhas. Um motoboy foi até a casa de Milanello e levou o envelope com os cartões quebrados.

Quatro horas depois, Milanello recebeu nova ligação, agora -de fato- do departamento de segurança dos cartões Itaú. “Aí eu já não acreditava em mais nada”, disse. O atendente disse que foram gastos R$ 35 mil em um só dia.

 

SEM SENHA

A mãe do engenheiro Adolfo Tanaami da Silva, 33, uma senhora de 74 anos, foi vítima desse mesmo golpe em fevereiro. O prejuízo foi de cerca de R$ 15 mil.

“Não houve fornecimento de senha em momento algum. O delegado nos disse que era gente de dentro do banco que passava as informações”, afirmou Tanaami.

O engenheiro, que tem conta conjunta com a mãe, disse que a família entrou na Justiça contra o banco, já que a instituição financeira se negou a estornar os gastos dos criminosos.

A advogada C., que prefere não ser identificada, foi vítima desse golpe em abril do ano passado. Cliente do Santander, ela teve um prejuízo de mais de R$ 11 mil.

O advogado Alexandre Berthe, especialista em direito do consumidor, afirma que esse golpe é aplicado, especialmente, em pessoas de faixa de renda alta. Segundo ele, os bancos têm negado o estorno dos valores. A resposta padrão é que a compra foi realizada com uso de senha pessoal, por isso as instituições entendem que não é de sua responsabilidade.

O advogado orienta que, ao descobrir que foi vítima, o cliente deve registrar um boletim de ocorrência. Depois, deve abrir um procedimento no banco para contestar o débito e solicitar informações como horário e local das compras, bem como nome e endereço dos estabelecimentos.

 

OUTRO LADO

O Itaú Unibanco disse, em nota, que orienta seus clientes a se protegerem contra fraudes, “sempre ressaltando que o envio de motoboys ou ligações solicitando qualquer documento ou dado do cliente não são práticas do banco”.

O banco disse ainda que o caso de Mário Milanello está em análise e que responderá diretamente ao cliente.

O Santander afirmou que “utiliza sistemas que identificam comportamentos diferentes dos habituais do cliente, gerando alertas e bloqueios para impedir as fraudes nestas situações”.

Fonte: Folha de S. Paulo

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